sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um dos nossos

José Torres, até sempre.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

31 de Agosto - Parte 5

Já me faltam os títulos, segue por partes.

Ficámos com um plantel ao mesmo nível do ano passado. Deixando o caso da baliza de parte, perdemos o Di Maria e o Ramires mas ganhámos Gaitán, Jara e Salvio, que, apesar de diferentes dos dois que saíram, podem ser opções válidas. Dependerá da forma como o Benfica jogar.

Para ter largura de jogo, seja em 4-4-2 ou 4-3-3 não é obrigatório ter extremos. Imensas equipas de futebol jogam sem extremos. O Inter não os tinha, a Espanha usou o Iniesta e o Villa para chegar junto às linhas, o Arsenal também joga um futebol completamente virado para o ataque e não usa extremos. Com os laterais que temos (principalmente o Fábio Coentrão mas também o Maxi), com jogadores móveis no meio campo como o Aimar e o Gaitán e avançados como o Saviola e o Jara (Salvio ainda é uma incógnita), parece-me que a necessidade de extremos é nula. Resta Cardozo, que provavelmente beneficia mais de um 4-4-2 clássico, mas a verdade é que ele lá vai marcando golos de época para época, com treinadores e sistemas diferentes, pelo que isso também não será problema. Confesso que sou da opinião que o Benfica do ano passado, com um avançado igualmente finalizador mas mais móvel - à imagem do, pois, Falcão - teria sido um caso ainda mais sério, mas Cardozo está lá para marcar e marca. E não há teorias que se possam usar contra isso.

Usar os laterais como principal arma nos flancos obriga a uma maior atenção e desgaste do meio campo, pelo que o (lá vem jargão futebolístico) duplo pivot a meio-campo seria uma hipótese a considerar, mas esse tipo de análises deixo ao Freitas Lobo e ao nosso treinador.

É que para ser o maior não basta ganhar um campeonato sem espinhas. É preciso ganhar outro a seguir, reinventar formas de jogar sem perder qualidade e resolver problemas e adversidades como tivémos até agora. Mister, as entrevistas a armar ao pingarelho no fim da época passada tiveram a sua piada, mas agora é que é altura de provar que é mesmo o maior.

31 de Agosto - Os que não vieram

De acordo com o controlo feito por alguns benfiquistas, foram noticiados 116 nomes para o Benfica. Se a esmagadora maioria deles nem deve ter passado de fantasia jornalística, alguns houve que foram mesmo tentativas falhadas (e já não são poucas essas novelas).

A última foi Hleb. Não me fez grande mossa. Parece-me um jogador como o Gaitán. Joga mais ao centro, ao longo da carreira foi sendo desviado para as alas, mas não é um extremo puro. Tem outras qualidades, tem experiência, mas só vinha acrescentar alguma maturidade e classe à equipa, até porque é um jogador cheio de lesões e sempre me pareceu um bocado macio na altura de pressionar e lutar pela posse de bola, pelo que além de Di Maria também não faria esquecer Ramires.

Já o James Rodriguez, por muito que me custe, se queríamos um miúdo com potencial à imagem do Di Maria era a escolha acertada. Espero enganar-me, mas acho que vai dar muitas alegrias aos lá de cima. Disse o mesmo do Falcão o ano passado e, infelizmente, tinha razão. Desta vez espero não ter.

Se queríamos alguém para substituir o Ramires e o Di Maria directamente, isto é, em estilo de jogo, parece-me (e aqui não tenho PFC nem vídeos de empresários, mas tenho o Youtube, que pelos barretes que se vão enfiando e de acordo com o Rui Oliveira e Costa é a mesma coisa) que o Wesley e Elias para o primeiro ou James Rodriguez ou Leto para o segundo tinham sido boas apostas.

Com isto, não quero dizer que acho que não temos um plantel suficientemente bom para voltarmos a ser campeões. Deixo isso para outro post, que este também já vai longo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Sobre a entrada de um jovem da formação

http://www.youtube.com/watch?v=ARsXCnoyAis

31 de Agosto - Roberto

Quanto a Roberto, não há muito a dizer que não tenha sido dito. Acho inacreditável que tenha custado 8,5 milhões de euros e vou sempre ficar à espera de uma explicação sobre este valor surreal para qualquer pessoa que perceba minimamente de futebol. Ou alguém meteu dinheiro ao bolso, o que é muito grave, ou quem conduziu a negociação (e pelo que se diz foi o próprio Luis Filipe Vieira) não percebe nada disto, o que é igualmente grave.

Um parágrafo para esclarecer que mesmo que o Roberto se venha a revelar um Buffon, continua a ter sido caro. Quando se compra um jogador pode acreditar-se no valor que ele virá a ter, mas a negociação tem que ser feita com base na sua situação actual - e se quem vendeu acreditasse que ele tinha valor para chegar a esse patamar, não seria a última opção para a baliza. Além do facto de que o mercado está em baixa. Os defensores das capacidades negociais do presidente fartaram-se de desculpar as vendas do Di Maria e do Ramires bem abaixo das cláusulas com o mercado em baixa e longe das loucuras de épocas recentes.

O valor qualitativo, propriamente dito, do guarda-redes continua a ser um bocado incóngito. Quero acreditar que as falhas têm sido fruto da adaptação e pressão e que Roberto vai acabar por convencer toda a gente, mas uma coisa é um frango, outra coisa são falhas técnicas como algumas a que temos assistido. Por muito que me custe, acho que Roberto não tem qualidade para ser guarda-redes do Benfica, o que nos deixa numa posição muito inglória, pelo dinheiro que gastámos nele, pela forma como foi dispensado o Quim e pelo facto de termos essa posição ao cargo de 3 jogadores sem capacidade para a segurar com a qualidade que o Benfica merece. E pensar que os nossos rivais foram buscar um internacional alemão de 31 anos a custo zero ainda azeda mais a coisa...

O penalty defendido contra o Vitória de Setúbal foi um momento inesquecível, mas pode ter sido o pior que nos podia ter acontecido, numa altura em que se falava no seu empréstimo e na contratação de outro guarda-redes, o que seria a humilhante admissão de um erro grosseiro, mas salvava a posição no campo para esta época. Com aquele penalty acabou a moral para fazer essa troca e agora podem acontecer duas coisas.  O Roberto pode realmente dar a volta por cima e provar a todos que afinal é mesmo um grande guarda-redes. Ou, a hipótese que mais temo e também acho mais provável, mais tarde ou mais cedo o Roberto volta a falhar e já não há nada a fazer até Janeiro. É esperar para ver.

31 de Agosto - Entradas

A maior parte das entradas já estavam garantidas desde Janeiro deste ano.

O Fábio Faria não o conheço suficientemente bem dos tempos do Rio Ave. Espero que tenha talento, mas ainda não o vi e é mais uma daquelas contratações que me faz pensar se não valia mais a pena ter ficado com um ex-junior (neste caso concreto o Miguel Vitor).

O Jara parece-me uma alternativa válida. É raçudo, remate fácil, novo e pode evoluir. Em 4-3-3 ou como alternativa ao Saviola, é um bom jogador para ter no plantel.

A melhor contratação é, para mim, o Gaitan, um jogador muito talentoso e criativo. Tem falhado um pouco na finalização, às vezes abusa um bocado dos bonitos (de calcanhar, principalmente) e parece pouco competitivo, mas lembrando que a adaptação dos jogadores de outro continente é sempre demorada e que esteve lesionado, até acho que não entrou nada mal. Não é jogador para substituir Di Maria no estilo, mas no onze pode fazê-lo, basta que o tipo de jogo do Benfica também se altere um pouco, assunto que deixo para outro post.

Há também as contratações do Rodrigo e do Alípio, por valores que ninguém sabe muito bem, dado que não foi comunicado à CMVM, bem como do Oblak. O primeiro foi emprestado e o segundo ninguém sabe, está num limbo entre a equipa principal e os juniores. Se forem verdade os 6 milhões pelo Rodrigo para o emprestar, acho inacreditável que depois Luis Filipe Vieira diga sobre uma prioridade como era um substituto para o Ramires que não há dinheiro para o contratar. Somando isto aos 8,5 do Roberto, a coisa começa mesmo a cheirar mal. Oblak entendo se tiver mesmo potencial, mas não compreendo o seu empréstimo a um clube da primeira liga cujo treinador disse publicamente desconhecer completamente o jogador e que procurava um guarda-redes experiente. Assim dificilmente vai calçar, mas espero estar enganado.

O Salvio, que veio emprestado por 2 milhões e qualquer coisa (uns dizem que por 20% do passe, outros nem isso) é um jogador que não é bem carne nem peixe. Não tem nada a ver com o Ramires nem é muito parecido com o Di Maria, parece-me ser mais adequado a jogar como avançado na ala direita em 4-3-3. Depois das experiências com o Miccoli e o Reyes, não sei se quero que ele seja bom ou não. É que quando eles são bons nunca ficamos com eles. Por isso, se for mesmo bom, pelo menos que nos ajude a chegar ao título.

A conclusão fica para outro post.

31 de Agosto - Saídas

Bem, vamos lá:

Saíram o Di Maria, o Ramires e o Quim. Do primeiro estou à vontade para falar, tenho uma camisola dele da época 2008/2009 quando ainda havia muitos benfiquistas que por 10 milhões pagavam-lhe o bilhete de avião e iam levá-lo ao aeroporto. É um génio e vamos sentir a falta dele, mas não era essencial. Vamos sentir falta dos golos, das corridas, daqueles dribles em que ainda quase atabalhoadamente conseguia tocar com o pé na bola quando ela já parecia completamente fora do seu alcance. Mas isto era magia, e por muito bonito que seja, não é essencial a uma equipa de futebol, até porque temos jogadores com criatividade para, à sua maneira, nos irem dando momentos destes.

Curiosamente, também tenho camisola do Ramires. É um jogador fabuloso, do mais completo que tenho visto nos últimos anos a todos os níveis. Fisicamente é um poço de energia, o posicionamento dele é sempre bom, aparece em todo o lado, finaliza, defende. Enfim, é daqueles que nunca joga mal. Deste, acho que sentimos mais falta. Mas também não é o fim do mundo.

Do Quim, posso dizer que nunca achei que fosse guarda-redes para o Benfica (tal como o Moreira e o Júlio César),  mas a minha opinião só é essa porque a bitola está elevada. Para mim, um guarda-redes para o Benfica tem que estar ao nível dos melhores do mundo, só isso. A forma como a dispensa dele aconteceu foi muito pouco digna e abriu um bocado a porta a que se criasse uma pressão enorme da parte dos adeptos ao seu substituto, que só um nome inabalável podia apaziguar. E já se sabe o que aconteceu depois.